segunda-feira, 24 de julho de 2017

Resenha do livro O Terraço e a Caverna

Olá galera !!!


Tudo bem com vocês? Bom, hoje estou aqui para trazer-lhes mais uma resenha. Antes de iniciar a resenha desta obra maravilhosa vou explicar como a descobri. Eu tenho um blog antigo o qual deixei-o ativo, pois tem coisas bacanas lá que eu gostaria de repostar no meu blog atual, que é o Jornal Literatura & Cia. O autor Mauricio Limeira achou esse blog e gostou do que havia visto lá, então entrou em contato comigo por e-mail e perguntou se eu não gostaria de resenhar a obra dele aceitei, pois meu lema é 'Ajudar os autores nacionais', pois, sim, eles merecem muito nosso respeito. O nome da obra é ‘’O Terraço e a Caverna’’ continuem lendo...

O Terraço e a Caverna é um livro escrito pelo autor Mauricio Limeira, publicação da Fundação Cultural do Estado do Pará, tem 276 páginas. É narrado em 1° pessoa e divididos em vários capítulos. A história se inicia no Rio de Janeiro, mais com os acontecimentos o cenário transforma e passa por vários locais.


O livro conta a historia de Quinha e Paco. Ambos moram no mesmo estado mais não na mesma casa. São crianças de estilos diferentes, Quinha tem 11 anos e mora com seus pais, um irmão e um avô,  numa cobertura na zona sul do Rio. Já Paco tem 12 anos, mora com os pais, num buraco abandonado do metrô carioca, depois que o tráfico local os expulsou da comunidade em que viviam. Ele é cadeirante, ela sofre da síndrome das pessoas inexistentes, vivendo solitária num universo muito particular, onde gatos falam, voam e são terrivelmente ardilosos. 



As probabilidades de Quinha e Paco se encontrarem são mínimas, mais isso não será empecilho para que o destino os ajudem a se encontrar.

Só esse inicio já sentimos o drama. Mas não é um drama complicado, difícil de entender. Basta se colocar no lugar dos personagens, duas crianças que sofrem preconceitos por terem seus problemas.

Eu diria que o mundo fora de nossas  casas é, sim, difícil de lidar, porque as pessoas julgam demais os deficientes ou não deficientes, ninguém se coloca no lugar do outro para sentir o que passamos, pois também sou deficiente e sei como é a vida lá fora. 

Quinha sofre de uma “Síndrome das pessoas Inexistentes”. Juro que não conhecia essa Síndrome, e vocês? Já ouviram falar?... Eu diria para Quinha que o mundo não é tão ruim como ela imagina, só temos que aprender a lidar com as pessoas que habitam nesse mundo. 

Os pais de Quinha, por verem a filha sofrer preconceito e também pela filha não querer ir mais à escola, resolveram deixá-la ficar em casa. Então eu me perguntei: será que foi a melhor opção? Será que não ajudaria a menina a tentar ser mais social? É entao mostrar como é lidar com os ser humanos. 

Parando para pensar, não é fácil lidar com o ser humano. Eles nunca estão aptos a nos ajudar, então, neste caso, entendo os pais de Quinha. Para poder ajudar a filha, eles compraram um computador, e neste computador eles puderam de alguma forma se aproxima da filha, pois a menina havia se fechado no mundinho dela onde, ao meu entender, é muito mais gostoso do que o mundo que habitamos. 

Já Paco se tornou um cadeirante que, eu diria, no decorrer da historia, por imprudência do pai que o deixou cair dos seus braços, (diria imprudência porque foi o que senti durante a narrativa). O menino acabou se tornando paraplégico, sofreu também preconceito na escola, mas lá tinha uma professora que gostava dele e o ajudava muito. Infelizmente o preconceito  é a falta de informação e convivência dos seres humanos por achar que cadeirante é um ser incapaz. O pai poderia tentar mais, mas deixou o filho decidir, ou achou que o filho na cadeira de rodas poderia ajudar nas ruas para trazer sustento para sua casa, por causa das suas limitações. Muitas vezes achamos que as circunstâncias são maiores que a nossa capacidade de reagir, essa é a realidade de algumas pessoas hoje. Talvez, quando mudarmos um pouco o nosso pensamento a respeito de muitas coisas, faremos o mundo um pouco melhor.

Esse livro se fez surpreendente em diversos pontos. Os elementos colocados na ficção pelo autor e apresentados aos leitores estão na dosagem certa. Juro por Deus, esse livro merece ser lido para as crianças, para que elas aprendam desde cedo como tratar um cadeirante até mesmo uma pessoa com uma síndrome.

Vou destacar aqui o tipo de escrita usado pelo autor nessa magnífica obra, que para mim foi maravilhosamente suave: a narrativa, volto a repetir, é em 1° pessoa, tem um estilo literário formal e tranquilo, em nenhum momento vi xingamentos (e isso foi um ponto positivo; olha, livros sem palavrões ganham pontos comigo). A narrativa, em nenhum momento, deixou de ser fluida.O autor foi bem objetivo durante a historia, sem aquelas enrolações chatas que existem em alguns livros que, nossa!, dá desânimo. Esse livro foi e é demais, amei. Os personagens têm forma física e alma, não são meras aparições, superficiais. Eles não deixam os leitores com a sensação de inexistência durante a leitura. 

O Terraço e a Caverna  - o livro perfeito para quem busca aprendizados, dramas e história de amor. O autor consegue  envolver todas essas características em uma leitura detalhada e prazerosa,  sem se tornar chato e repetitivo.

Minha opinião final sobre essa obra: o livro O Terraço e a Caverna é um livro perfeito para se tirar uma lição de vida, pois Quinha e Paco mostram como podemos dominar as perdas, as magoas. Apesar deles estarem frustrados, com certeza eles passam força para aqueles que leram, nos dão ânimo para seguirmos nosso caminho. Fiquei muito triste em alguns capítulos que onde existiram perdas, perdas essas que são muito dolorosas. Cada capitulo nos prende com sua sabedoria e drama, claro, mas é um tipo de livro que não rolou nenhuma maresia. Sabe, foi tudo no seu tempo. Teve momentos que me sentia no meio dos personagens, pois sou muito emotiva,  e a vontade de abraçar aquele personagem que estava sofrendo era muito grande.Foi uma leitura prazerosa.


Quanto à qualidade do material em que essa obra magnífica foi produzida, a capa é azul escuro; como não tem ilustrações é que chama mais atenção. A parte de dentro da capa, nossa, é lindo demais. Quanto às folhas, são finas mas não tão finas a ponto de ver outro lado; são brancas, apesar de eu gostar mais de folhas amarelas, pois acho mais é fácil de ler. Folhas brancas ofuscam muito e repuxam bastante as vista. Tamanho da fonte médio, dá para ler tranquilo. Apesar de serem médias, achei as fontes claras para folhas brancas, e isso mexeu um pouco na minha leitura. Mas o livro si é maravilhoso. Essa obra merecia muitas estrelas, pois retrata assuntos que mal vejo falar na mídia assim, ‘’BULLYNG’’. Parabéns ao autor por essa obra genial e valiosa.




Booktrailer do livro O Terraço e a Caverna





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